terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Todos Nós Somos Doutores


Todos Nós Somos Doutores

     Por Gilberto Scarton

     De tempos em tempos, volta a dúvida, a discussão: quem é Doutor/doutor? Devo/posso chamar meu médico de "doutor"? E um advogado pode assim se denominar? E os cirurgiões-dentistas, os engenheiros, os enfermeiros, os fisioterapeutas? "Doutor" não é apenas quem defende tese em Curso de Doutorado? Afinal, "doutor" é título ou forma de tratamento? Quem é doutor?

     Para esclarecer a questão, surge outra hesitação: a que fontes recorrer? Aos dicionários? À História? À legislação? Aos usos e costumes que se instauram em nossa vida em sociedade?

     O presente artigo pretende trazer algumas luzes sobre o assunto.


 
2. Os Doutores da Lei - os escribas

     A palavra "escriba" procede do latim, do verbo "scribere", que significa "escrever". Na antiguidade, os escribas eram homens que atuavam como copistas e redatores das leis. Sua função, entre os hebreus, acabou por concentrar-se na interpretação e no ensino das Sagradas Escrituras e na formulação e aplicação do Direito, deduzido dos livros sagrados. Nos Evangelhos, são chamados de rabinos, de mestres, qualificativos que foram aplicados também a Jesus Cristo e a João Batista.

     Um dos pontos centrais da narrativa dos Evangelhos é o ataque enérgico de Jesus contra esses Doutores da Lei, como se pode ler em Mateus-cap.23: 1-7;23-27:

 
Então, falou Jesus às multidões e aos seus discípulos:
Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus.
Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem. Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.
Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas. Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens. (...)

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança!
Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!



 
3. Os Doutores da Igreja

     Os primeiros ilustres mestres da fé, sucessores imediatos ou quase imediatos dos apóstolos, recebem na História da Igreja a qualificação de Padres Apostólicos, entre eles Inácio de Antioquia, Clemente de Roma e Ireneu de Lyon.

     A geração seguinte é chamada de Padres da Igreja. A partir do século IV, brilham como expoentes os chamados Doutores da Igreja, muitos dos quais fazem parte dos Padres da Igreja. São em nº de 32.

     Os Doutores da Igreja são homens e mulheres reverenciados pela Igreja pelo especial valor de seus escritos, de suas pregações e da santidade de suas vidas, dando assim contribuição valiosa à fé, ao entendimento dos Evangelhos e da doutrina, Citam-se entre eles Santo Agostinho (354 - 430), Santa Catarina de Sena (1347 - 1380), São Gerônimo (384 - 420), São João Crisóstomo (349 - 407), São João da Cruz (1542 - 1591), Santa Teresa d'Ávila (1515 - 1582) e São Tomás de Aquino (1225 - 1274).

     D. Lucas Moreira Neves lembra que, quando o papa João Paulo II declarou Santa Teresinha do Menino Jesus Doutora da Igreja, um jornalista sugeriu que a santa carmelita se tornasse intercessora em favor dos hospitais públicos brasileiros e em favor dos doentes que são atendidos muito mal. Outro propôs Teresinha como padroeira da Pastoral da Saúde. Lamentável esse equívoco dos jornalistas, ao confundir esse título de "Doutor" com o sentido de "médico".


 
4. Os advogados

     O título de "doutor" foi outorgado, pela primeira vez, por uma universidade, a um advogado, em Bolonha, que passou a ostentar o título de "Doctor Legum".

     Entre nós, a tradição de se chamar o advogado de "doutor" remonta ao Brasil Colônia. Naquela época, as famílias ricas prezavam sobremaneira ter em seu meio um advogado (e também um padre e um político). O meio de acesso a esses postos era a educação.

     O advogado - conhecedor de leis, detentor de certo poder de libertar e de prender - assenhorava-se desse poder mediante formação privilegiada. A tradição logo transformou o termo em sinônimo de posição superior dentro da escala social.

     Há que se mencionar ainda o Alvará Régio, editado por D. Maria, a Pia, de Portugal, pelo qual os bacharéis em Direito passaram a ter o direito ao tratamento de "doutor". E o Decreto Imperial (DIM), de 1º de agosto de 1825, que deu origem à Lei do Império de 11 de agosto de 1827, que "cria dois Cursos de Ciências Jurídicas e Sociais; introduz regulamento, estatuto para o curso jurídico; dispõe sobre o título de doutor para o advogado".


 
5. Os médicos

     Nos países de língua inglesa, os médicos são chamados de "doctor". Quando escrevem artigos, ou em seus jalecos, no entanto, não empregam o termo, mas apenas o próprio nome, acompanhado da abreviatura M.D. (medical degree), isto é, "formado em Medicina", "médico".

     Entre nós, o "doutor" do médico se generalizou na boca do povo por tradição, por respeito, por admiração, por espontânea deferência pelo saber da doutrina e prática do ofício médico.


 
6. Os enfermeiros e os fisioterapeutas

     Algumas profissões não-médicas da área da saúde - como a de enfermeiro e de fisioterapeuta - evocam também para si a prerrogativa do título de "doutor". Isso através da imposição de leis próprias.

     Assim, o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de 8ª Região - CREFITO 8 - recomenda o título de "doutor" aos profissionais fisioterapeutas e terapeutas. Por seu turno, também o Conselho Federal de Enfermagem - COFEN - autoriza o uso do título pelos enfermeiros, conforme Resolução COFEN nº 256/2001. Entendem os respectivos Conselhos que deva ser mantida a isonomia entre os componentes da Equipe de Saúde e que "a não utilização do título de Doutor leve a sociedade e mais especificamente a clientela (...) a pressupor subalternidade, inadmissível e inconcebível, em se tratando de profissional de nível superior".


 
7. Os cirurgiões-dentistas, os engenheiros, os economistas ...

     Há o costume por parte de cirurgiões-dentistas, engenheiros e economistas de autodenominarem-se ou de serem chamados de "doutores". Em outras categorias de profissionais, é mais difícil encontrar alguém que assim se intitule.

     A propósito, lembramos que, em Portugal, o título de doutor é estendido a todos os formados em nível superior.


 
8. Os que fizeram doutorado

     No mundo acadêmico, é chamado de "doutor" quem cursou no mínimo 3 anos o doutorado ou 5 anos quando o mestrado o antecede e defendeu uma tese diante de uma banca composta por cinco doutores. Mas não basta frequentar a cadeira das universidades para cursar disciplinas. O "doutor" acadêmico precisa mostrar sua formação ao mundo científico com trabalhos publicados em resvistas e jornais de renome. Instituir linhas de pesquisa sérias e ter respeito multiprofissional.

 
9. O Doutor Honoris Causa

     O título honorífico "Doutor Honoris Causa" é o reconhecimento acadêmico mais elevado de uma universidade para distinguir pessoas que, em qualquer tempo, tenham prestado relevantes serviços, servindo de exemplo para a comunidade acadêmica e para a sociedade.


 
10. "Os bem vestidos"

     Aziz Lasmar, em caderno de Debates da RBORL, de março - abril de 2004, relata que atendia a uma menina de uns 5 ou 6 anos, que prestava atenção a tudo, principalmente a como a mãe se dirigia a ele: doutor pra cá, doutor pra lá. Num dado momento perguntou à mãe se ele era afinal doutor ou médico. Antes que a mãe respondesse, o médico falou que era médico ..... que doutor era qualquer um que tivesse carro.

     O relato ilustra um dos vários sentidos do termo "doutor": tratamento que as pessoas mais humildes dispensam aos que se apresentam bem vestidos, aos que estão acima, que podem mais , que têm mais. É, assim, um tratamento de vassalagem, e quem o usa se submete, se põe em inferioridade social, se auto-exclui.


 
11. Conclusão

     Entre os advogados, há quem pense que os médicos pretendem monopolizar o título de doutor, primeiramente empregado por advogados. Entre médicos, há quem considere que enfermeiros e fisioterapeutas que se intitulam "doutores" fazem propaganda enganosa, dando a impressão de serem médicos. Entre os pós-graduados que cursam doutorado e defendem tese há quem julgue que somente eles podem ser chamados de doutores.

     Constatada a polêmica, e depois do que se escreveu até aqui, apresentam-se algumas conclusões, abertas a críticas e a outros considerandos.
 
  1. O "doutor" do advogado e do médico surgiu, se fixou e se matém por longa tradição, por especial e espontânea deferência dos cidadãos, dos utentes da língua. Uso legítimo, pois, "O que o simples bom senso diz é que não se repreende de leve num povo o que geralmente agrada a todos", disse o poeta Gonçalves Dias. Bem mais antiga é a sentença de Horácio ao se referir ao uso, que ele considera proponderante na interação lingüística : "Jus et norma loquendi" ( A lei é a norma da linguagem.)

    Entende-se, pois, que a língua é uma questão de usos e costumes. Que os falantes são os senhores absolutos de seu idioma. Que os usos lingüísticos não se regulamentam por decretos, por imposição de resoluções. A lei, em questões lingüísticas, é ilegal. Quem ousa legislar sobre o que se deve e o que não se deve dizer incorre em abuso de poder. É uma atitude irracional e irrealista, pois nada altera o que é de uso consagrado. Aos que se insurgem e vociferam contra tais usos, que têm direitos de cidadania, Mestre Luft lembrava a frase: "Os cães ladram e a caravana passa".
  2. Quanto ao "doutor" do enfermeiro, do fisioterapeuta, do cirurgião-dentista, do engenheiro, do formado em curso superior .... dizem os dicionários que "doutor" é um título que, por cortesia, se costuma dar àqueles diplomados em curso superior. Se se costuma, de fato, não há por que discutir. Em Portugal, o emprego desse título é generalizado a professores primários, formados em Medicina, diplomados em faculdades e os que defendem tese de doutoramento. Aliás, lá todo mundo é "excelência". Costume. Tradição. Mas, se aqui no Brasil não se costuma ... Pode-se dar que esse uso se instaure ou se generalize, pelo fato de os profissionais em questão assim se denominarem e/ou serem denominados por seus paciente ou clientes.
  3. Pelo que se disse até aqui, não assiste razão àqueles que querem reservar o título de "doutor" somente a quem fez doutorado e defendeu tese. Se querem se distinguir dos demais, há formas como as exemplificadas:

    Dr. Fulano de Tal - Doutor em Medicina
    Prof. Dr. Fulano de Tal - Doutor em Letras
  4. Registram os dicionários que "doutor" é aquele que está habilitado a ensinar; homem muito instruído em qualquer ramo; homem que deita sapiência a propósito de tudo; homem com muita experiência; indivíduo que reincinde, que costuma ter o mesmo procedimento (Ele é doutor em prometer e não cumprir); tratamento dado por porteiros, frentistas, engraxates, flanelinhas, etc; entre outros resgistros. Então, todos nós somos doutores.
  5. Há doutores e doutores. Cabe discernir onde o vulgo confunde.
  6. Etimologicamente, o vocábulo "doctor" procede do verbo latino "docere" ("ensinar"). Significa, pois, "mestre", "preceptor", "o que ensina". Da mesma família é a palavra "douto"que significa "instruído", "sábio". Sábio. Então, quem é mesmo Doutor?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Cidades onde estivemos...




  1. Paris, France
  2. Vila Velha, Brazil






Hit do carnaval


Rebolation

Parangolé

Rebolation é bom, bom Rebolation é bom, bom, bom (7x)
Bota a mão na cabeça que vai começar
O Rebolation, tion o rebolation, o rebolation, tion, rebolation
O Rebolation, tion o rebolation, o rebolation, tion, rebolation
Alo minha galera preste atenção Rebolation é a nova sensação
Menino e menina não fiquem de fora que vai começar o pancadão
O suingue é bom gostoso de mais
Mulheres na frente os homens atrás
Mão na cabeça que vai começar
O Rebolation, tion o rebolation, o rebolation, tion, rebolation
O Rebolation, tion o rebolation, o rebolation, tion, rebolation
Rebolation é bom, bom Rebolation é bom, bom, bom
Rebolation é bom, bom. Se você fizer fica melhor (2x)
Bota a mão na cabeça que vai começar
O Rebolation, tion o rebolation, o rebolation, tion, rebolation
O Rebolation, tion o rebolation, o rebolation, tion, rebolation
Rebolation é bom, bom Rebolation é bom, bom, bom (4x)......

Jornal CFM




Matérias
 

Voluntários para o Haiti



SOS Haiti - Embarque dos primeiros voluntários
A Associação Médica Brasileira realizou na quinta-feira (11) e nesta sexta (12), com auxílio da indústria, Sociedades de Especialidade e outras instituições de saúde, o deslocamento de 17 profissionais de saúde (seis ortopedistas, quatro anestesiologistas, um cirurgião vascular, quatro enfermeiros e um técnico de radiologia), equipamento, instrumental, material médico-hospitalar e medicamentos para o Haiti.
Na primeira semana após o terremoto que destruiu Porto Príncipe, médicos brasileiros da organização Expedicionários da Saúde, parceiros da AMB, estabeleceram-se no sul daquele país, em Les Cayes,  e organizaram um serviço médico nas áreas de ortopedia e anestesiologia no hospital canadense Institut Brenda Stratfford.
A estrutura física da instituição não foi afetada pela catástrofe, por isso foi possível aparelhar duas salas de operação, montar um centro esterilização e duas enfermarias, totalizando 40 leitos. O programa cirúrgico diário hoje chega a 12 intervenções, incluindo as de grande porte. Até a presente data, foram realizadas 88 cirurgias.
Desde o dia 14 de janeiro, a AMB, tem alistado médicos dispostos a atender a população haitiana. Cerca de 1000 especialistas voluntariaram-se. Após três semanas de muito trabalho, a missão da AMB substituirá a equipe de médicos enviada pela ONG para dar continuidade ao projeto. 
"Há excelente aceitação da população local, simpática aos brasileiros. Esse fato se deve muito à atuação das nossas forças militares naquele país. De outra parte, a AMB mantém relações próximas com a Associação Médica do Haiti, o que certamente contribuirá para ampliar o escopo da atuação para outras especialidades", disse José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Associação Médica Brasileira.
Mais informações: www.amb.org.br 

Top 10 em Paris

Top 1: Torre Eiffel
Top 2: Museu do Louvre
 Top 3: Igreja de Notre Dame


Top 4: Arco do Triunfo

Top 5: Sacre-Coeur

Top 6: Museu d'Orsay
Top 7: Invalides 

Top 8: Panthéon

Top 9: Sainte- Chapelle

 

Top 10: Museu Centre Georges-Pompidou


Tenho que concordar....
Os top 10 em Paris são mesmo esses ai...
Valeram as dicas de Vanice e Milton do http://oguiadeparis.blogspot.com/

O guia de Paris



Um novo blog de Paris

Este é um blog de dicas de viagem e de notícias de Paris. 
Você vai achar aqui conselhos de hotéis e restaurantes mais baratos da cidade, dicas de passeios interessantes, mapas etc. Além dessas dicas, o blog também vai se dedicar a relatar os últimos eventos da cidade luz.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Poetando

O pirilampo



Um pirilampo indiscreto,

esperto,
sem pedir licença,
se pôs a contemplar-te
deitada no teu leito:
"- Como és linda!", disse ele.
O pirilampo indiscreto,
esperto,
teve o fado 
que me é negado.
E pôde banhar-te
com sua delicada luz,
vislumbrando na fosforescência
do aveludado de teu corpo
a lascívia de tuas formas, 
a beleza única de teus contornos.
Tu, qual Vênus pronta a se entregar
aos ansiados braços 
de um Morfeu sedento...
Oh! O que eu não daria 
para ser o pirilampo!
E ver-te, e admirar-te, 
e desejar-te - e te querer! -,
e sentir teu hálito
num abraço-espasmo
longo, duradouro, 
fundindo corpos,
entrelaçando almas,
para, enfim,
na exaustão do amor, 
depositar na maciez sensual
de tua boca rósea
o ósculo santo da paixão
definitiva.
E depois,
beijar teus olhos semicerrados,
suavemente, ternamente,
e velar teu sono, 
e segredar-te sussurrando
tudo aquilo que a uma deusa
se deve dizer ajoelhado.

Mas eu não sou o pirilampo...




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Lúcio José Gusman +

Fim de cupons desconto


Ainda sobre oc cupons desconto...
Pela nova regra, a proteção do sigilo profissional veda ao médico o preenchimento de qualquer espécie de cadastro, formulário, ficha, cartão de informações ou documentos assemelhados que permita o conhecimento de dados exclusivos do atendimento. A íntegra da resolução está disponível no Portal Médico (http://www.cfm.org.br/), no item legislação.
Confira os principais pontos da Resolução 1939/2010:
Art. 1º É vedado ao médico participar, direta ou indiretamente, de qualquer espécie de promoção relacionada com o fornecimento de cupons ou cartões de descontos aos pacientes, para a aquisição de medicamentos.
Parágrafo único. Inclui-se nessa vedação o preenchimento de qualquer espécie de cadastro, formulário, ficha, cartão de informações ou documentos assemelhados, em função das promoções mencionadas no /caput/ deste artigo.

CFM proíbe médicos de dar cupons e vales-desconto

*CFM proíbe médicos de dar cupons e vales-desconto*

*Prática é comum principalmente para medicamentos de médio e alto custo*

*Para o Conselho Federal de Medicina, método que serve para fidelizar
pacientes e médicos a certas marcas esbarra no Código de Ética *

 O CFM (Conselho Federal de Medicina) proibiu médicos de distribuir cupons e vales-desconto aos pacientes para a compra de medicamentos. A decisão será publicada hoje no "Diário Oficial da União".


O preço "camarada" é oferecido hoje principalmente para aquisição de remédios de médio e alto custo. Para o conselho, porém, esse método de fidelização de pacientes e dos médicos a determinadas marcas esbarra no Código de Ética.


De acordo com o texto, obtido pela *Folha*, "o médico, ao se inserir como peça indispensável para esse tipo de promoção de vendas da indústria farmacêutica, exerce a medicina como comércio, atuando em interação com o laboratório".


As relações duvidosas entre médicos e a indústria farmacêutica vêm sendo combatidas pelo CFM e até pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que recentemente proibiu laboratórios de dar brindes aos médicos.


O objetivo é evitar que "mimos" como reformas de consultórios e patrocínio de viagens turísticas, por exemplo, sejam recompensados pelo médico com a prescrição costumeira de determinada marca de medicamento -às vezes desnecessária.


Essas práticas já são condenadas pelo Código de Ética Médica, que é bastante genérico. Segundo Carlos Vital, vice-presidente do CFM, contudo, às vezes é preciso criar novas normas para não deixar dúvidas.
"Observa-se um aumento desse tipo de procedimento [fornecimento de vale-desconto]. A fidelização de marcas é uma prática de interesse mercadológico", afirma, explicando o motivo da nova resolução.


Pelo texto, o médico fica proibido também de participar desse tipo de promoção de forma indireta, por exemplo, divulgando a existência de determinado programa de bônus.

*Preço*
A nova regra causa temor em pacientes que hoje utilizam os descontos oferecidos. A jornalista Fabiana Barros conta que sua mãe, Maria Emília de Barros, 64, compra um medicamento para tratamento de Alzheimer por R$ 270 com um vale-desconto dado por seu médico. O produto, cujo princípio ativo é
o cloridrato de donepezila, custa R$ 438.


"Espero que o produto fique com um preço médio, pois minha mãe não pode parar de tomar esse remédio. E pagar o preço dele sem desconto vai ser muito difícil", afirma.


Esse desconto de forma exclusiva aos pacientes que recebem o bônus é criticado por Vital. Ele opina que, se é possível oferecer um valor mais baixo a alguns pacientes, ele deveria ser adotado para todos.
Outra crítica feita pelo médico às promoções é o fato de os bônus serem preenchidos pelos pacientes com seus dados. De posse deles, o laboratório sabe os dados do paciente, sua doença, a prescrição que lhe foi dada e qual o médico. É uma forma de conhecer o mercado e até montar estratégias com base nesse tipo de informação.


Ainda de acordo com Vital, o novo Código de Ética Médica, a ser publicado nesse ano (em substituição ao atual, de 1988), também trata de forma genérica a questão da interação entre médicos e laboratórios. Ele não trará proibição específica sobre recebimento de brindes, mas vetará a obtenção de vantagens financeiras pela comercialização de medicamentos.

*Laboratórios*
A *Folha* procurou ontem o Sindusfarma, entidade que representa os laboratórios no Estado de São Paulo, que preferiu não comentar o tema. A Febrafarma, que até o ano passado representava a indústria farmacêutica, já não existe.

*MÁRCIO PINHO*
DA Folha

Caso clínico 1

Caso Clinico 1                                                                    


Dr. Dourado recebe paciente em seu consultório apresentando quadro de hérnia inguinal indireta unilateral. Programada cirurgia para dois dias seguintes à consulta. Paciente chegará no Hospital uma hora antes do procedimento. Solicitado exames de sangue (Hematócrito, Hemoglobina, Hematimetria).

            No dia da cirurgia, paciente se atrasa. Cirurgião e Anestesista, Dra. Angélica, o aguardam no centro cirúrgico. Em rápida entrevista, a anestesista colhe os seguintes dados :

            ARS, 67 anos , branco, casado, natural de Barbacena, bancário aposentado, portador de hipertensão arterial sistêmica, prótese valvular aórtica metálica há 10 anos por doença degenerativa, depressão menor, hérnia inguinal indireta unilateral.  Em uso de Amlodipina (Norvasc®), Hidroclorotiazida (Drenol®), Imipramina (Tofranil®) e Warfarina (Marevan®). Exames laboratoriais solicitados pelo cirurgião dentro da normalidade. Não faz controle cardiológico há cerca de um ano. Não possui exames recentes para controle da coagulação sanguínea.

Perguntas :
1)    Quais seriam os exames mínimos para avalição pré-operatória ?
2)    A avaliação cardiológica seria necessária ?
3)    A internação se deu em tempo adequado ?
4)    Quais seriam as repercussões dos medicamentos em uso em relação às técnicas anestésicas ?
5)    Qual seria a conduta mais adequada ?

SÍNDROME DE IMPLANTE DE CIMENTO ÓSSEO

SÍNDROME DE IMPLANTE DE CIMENTO ÓSSEO
Pablo B Gusman*
Natal, CBA 2007


Introdução– O tratamento de fraturas de quadril objetiva o alívio da dor e a manutenção ou restauração do movimento. Por se tratar na maioria de doentes senis, algumas complicações indesejáveis podem ocorrer relativas à técnica e doenças associadas. 
Relato do Caso– Paciente de 80 anos, fratura de colo de fêmur, ICC grave, arritmias ventriculares, AVC isquêmicos, cifoescoliose. Monitorada com cardioscopia em D2-V, PANI, saturação de oxigênio (SatO2). Cursando com extrassístoles ventriculares, PA=180 x 100 mmhg, SatO2 92% em ar ambiente. Punção venosa 16 G em MSE. Programado duplo bloqueio. Em posição sentada, punção L2-L3 e L3-L4 com agulha 18G sem sucesso. Optado por raquianestesia com agulha 25G, mas sem sucesso. Paciente apresentando quadro de hipotensão, palidez cutâneo-mucosa, sudorese, queda do nível de consciência. Melhora à hidratação venosa e Efedrina 10 mg EV. Opção por anestesia geral venosa e inalatória. Indução com Fentanil, Etomidato, Atracúrio. IOT sem intercorrências, tubo 8,0, sem alterações hemodinâmicas significativas. Ato cirúrgico evoluiu sem intercorrências, perda sanguínea estimada em 400 ml, hemodinamicamente estável, SatO2 > 95%, diurese 1 ml/kg/hora. Após administração do cimento ósseo, paciente apresentou quadro de hipotensão, tratada com efedrina em duas administrações de 10 mg, cursando com bradicardia sinusal. Administrado atropina 1 mg, mantendo hipotensão e bradicardia. Instalado Dopamina doses α e β. Parada cardíaca em atividade elétrica sem pulso. Iniciadas manobras de reanimação, mantido Dopamina dose α. Feito adrenalina. Reversão para ritmo de taquicardia sinusal, com extrassístoles ventriculares freqüentes. Instalado Lidocaína em infusão contínua, após bolus inicial. Mantida em ventilação mecânica controlada, FIO2 100%, infusão de Dopamina doses α e β, apresentando PA = 190 x 110 mmHg, taquicardia sinusal, SatO2 98%. Transcorridos 30 minutos após episódio de hipotensão inicial, paciente apresentando BAVT, ritmo de 30 bpm e novo episódio de hipotensão refratário ao uso de Dopamina e Efedrina. Iniciadas manobras de reanimação. Passado marcapasso intracavitário por punção de veia subclávia esquerda, sem resposta mecânica a estímulo elétrico. Constatado óbito 1 hora e 30 minutos após instalação do cimento intraósseo. 
Conclusão: Alergia ao cimento ósseo polimetil metacrilato ou a seus componentes é comum, associado à morbidade dos pacientes senis candidatos ao seu uso. A identificação de pacientes alérgicos pode ajudar a prever graves acidentes. 
Referências – 1. Kaplan K et alli. Preoperative identification of a Bone-Cement Allergy in a patient undergoing total knee arthroplasty. Journal of Arthroplasty,2002;17(6):788-91.