Mostrando postagens com marcador Lúcio José Gusman. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lúcio José Gusman. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Poetando

O pirilampo



Um pirilampo indiscreto,

esperto,
sem pedir licença,
se pôs a contemplar-te
deitada no teu leito:
"- Como és linda!", disse ele.
O pirilampo indiscreto,
esperto,
teve o fado 
que me é negado.
E pôde banhar-te
com sua delicada luz,
vislumbrando na fosforescência
do aveludado de teu corpo
a lascívia de tuas formas, 
a beleza única de teus contornos.
Tu, qual Vênus pronta a se entregar
aos ansiados braços 
de um Morfeu sedento...
Oh! O que eu não daria 
para ser o pirilampo!
E ver-te, e admirar-te, 
e desejar-te - e te querer! -,
e sentir teu hálito
num abraço-espasmo
longo, duradouro, 
fundindo corpos,
entrelaçando almas,
para, enfim,
na exaustão do amor, 
depositar na maciez sensual
de tua boca rósea
o ósculo santo da paixão
definitiva.
E depois,
beijar teus olhos semicerrados,
suavemente, ternamente,
e velar teu sono, 
e segredar-te sussurrando
tudo aquilo que a uma deusa
se deve dizer ajoelhado.

Mas eu não sou o pirilampo...




* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Lúcio José Gusman +

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ausência

Lúcio José Gusman


Ausência


Não estares
é como abrir uma ferida imensa
de onde salta
um mar vermelho de solidão.
É dissecar em mim
um tempo que não existe,
um tempo em que não sou,
no qual tu és, absoluta,
pela falta em que me queimas.
Não estares
é afogar-me em águas turvas
ardendo na sede,
insaciável,
que me consome.
Não estares
é como se não quisesses estar
mesmo querendo,
enquanto eu sorvo, ininterruptamente,
a agridoce essência
do teu ser onipresenteausente


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *